quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Aquele filme que me acompanha




Me lembro como se fosse ontem. Estava no segundo ano do colegial e era dia de filme. Sentamos no auditório e a professora deu play em um trecho de Diários de Motocicleta, recém-lançado no Brasil.

Comecei a prestar atenção. O protagonista era uma graça. Gael ele chama? A história foi me cativando e eu mergulhei de cabeça. Dois amigos que sobem em uma motocicleta e vão embora ver o continente sul-americano, que conheciam apenas por livros. Gente, pode fazer isso? Sair andando assim para ver as 
coisas?

Eu não sabia, mas pode.

Ernesto, aquele que viria a ser o Che, e seu amigo Alberto viram neve, deserto, gente rica, gente pobre, gente saudável, gente doente. Fizeram amigos e inimigos. Tudo ali, documentado nos diários de um então estudante argentino e adaptados pelo cinema por Walter Salles.

Quando vi Diários de Motocicleta pela primeira vez, percebi que era isso que eu queria: sair andando para ver como as coisas são. Me despir de preconceitos e conversar, entender, ver, sentir. 

Esse foi o primeiro filme a chacoalhar meu mundo. Desde os 16 anos, muita coisa mudou. Em cada uma das vezes que revi Diários de Motocicleta, um aspecto me chamou a atenção, conversou com um momento pelo qual eu estivesse passando.

A última vez que o revisitei  foi sábado passado. Estou planejando minhas férias e toda vez que estou me preparando para viajar, revejo o filme. Me identifico com as cenas iniciais, os dois amigos cheios de sonhos, cantando, arrumando as malas, traçando um mapa.

Traçar um mapa.

Marcar as cidades pelas quais você vai passar. 

Abrir o coração e a mente para as lembranças que serão construídas. A suspensão no tempo que une passado-presente-futuro.

Tem sensação melhor nesse mundo? Desconfio que não.

2 comentários:

  1. Oi minha linda! Fabuloso esse seu texto. Além de hiper bem escrito, como tudo o mais, revela bem a sua alma limpa, a sua vontade de viver na vida real. Sem frescuras, sem superficialidade, etc. Que você consiga realizar bastantes sonhos. Abração da tia Dal.

    ResponderExcluir
  2. A primeira vez que vi esse filme foi no cinema do Museu Lasar Segall, lá na Vila Mariana. Eu estava com a minha filha mais velha, Renata, e foi um momento muito mágico. Além do filme, que eu tinha uma certa reserva e tal, medo de não me identificar com o mocinho nem com o bandido, entende, além do filme, do lugar e da companhia, vimos uma mulherzinha muito especial na platéia, com uma roupinha muito dez, com um lenço enooooorme nos ombros, sozinha lá... Enfim, abraços.

    ResponderExcluir