Me lembro como se fosse ontem. Estava no segundo ano do
colegial e era dia de filme. Sentamos no auditório e a
professora deu play em um trecho de Diários de Motocicleta, recém-lançado no
Brasil.
Comecei a prestar atenção. O protagonista era uma graça.
Gael ele chama? A história foi me cativando e eu mergulhei de cabeça. Dois
amigos que sobem em uma motocicleta e vão embora ver o continente
sul-americano, que conheciam apenas por livros. Gente, pode fazer isso? Sair
andando assim para ver as
coisas?
Eu não sabia, mas pode.
Ernesto, aquele que viria a ser o Che, e seu amigo Alberto
viram neve, deserto, gente rica, gente pobre, gente saudável, gente doente.
Fizeram amigos e inimigos. Tudo ali, documentado nos diários de um então
estudante argentino e adaptados pelo cinema por Walter Salles.
Quando vi Diários de Motocicleta pela primeira vez, percebi
que era isso que eu queria: sair andando para ver como as coisas são. Me despir
de preconceitos e conversar, entender, ver, sentir.
Esse foi o primeiro filme a
chacoalhar meu mundo. Desde os 16 anos, muita coisa mudou. Em cada uma das
vezes que revi Diários de Motocicleta, um aspecto me chamou a atenção,
conversou com um momento pelo qual eu estivesse passando.
A última vez que o revisitei foi sábado passado. Estou
planejando minhas férias e toda vez que estou me preparando para viajar, revejo
o filme. Me identifico com as cenas iniciais, os dois amigos cheios de sonhos, cantando,
arrumando as malas, traçando um mapa.
Traçar um mapa.
Abrir o coração e a mente para as lembranças que serão construídas. A
suspensão no tempo que une passado-presente-futuro.
Tem sensação melhor nesse mundo? Desconfio que não.

Oi minha linda! Fabuloso esse seu texto. Além de hiper bem escrito, como tudo o mais, revela bem a sua alma limpa, a sua vontade de viver na vida real. Sem frescuras, sem superficialidade, etc. Que você consiga realizar bastantes sonhos. Abração da tia Dal.
ResponderExcluirA primeira vez que vi esse filme foi no cinema do Museu Lasar Segall, lá na Vila Mariana. Eu estava com a minha filha mais velha, Renata, e foi um momento muito mágico. Além do filme, que eu tinha uma certa reserva e tal, medo de não me identificar com o mocinho nem com o bandido, entende, além do filme, do lugar e da companhia, vimos uma mulherzinha muito especial na platéia, com uma roupinha muito dez, com um lenço enooooorme nos ombros, sozinha lá... Enfim, abraços.
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