sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Não é vida adulta se os seus pais pagam seu BlackBerry




Quando você tem vinte e poucos anos, rola uma pressão da sociedade. Já ter um bom diploma, um bom emprego, um bom apartamento, um bom relacionamento, um bom carro. E continuar com o cabelo lindo e as unhas feitas.

 Mas, convenhamos: quem conquistou tudo isso com tão pouca idade? Eu, não. Muito menos a Hannah Horvath, protagonista da excelente série Girls, da HBO. Quatro amigas, uma delas escritora, uns caras, Nova York. Parece Sex and The City. Apesar das frequentes citações à “mamãe” das séries de mulherzinha e da produtora em comum, a afinidade para por aí. Isso porque Girls segue uma tendência muito interessante das séries recentes dos EUA: ninguém é um completo vencedor. A crise está aí para provar. E tudo bem, cara. Não rolou hoje, amanhã a gente vê.

No primeiro episódio, os pais da Hannah a comunicam que pararão de sustentá-la. Afinal, ela terminou a faculdade (de Letras), tem um estágio (não remunerado), um apartamento (pago com a grana dos pais), um livro em vias de ser publicado (um caderno cheio de reflexões aleatórias) e um namorado (um peguete que nunca sai de casa ou usa uma camisa ou fala coisa com coisa).

Se os pais apenas leem as frases principais, Hannah sabe que a vida de verdade está no conteúdo entre parênteses. E se desespera. E apela. Fala que eles têm sorte, ela poderia ser uma drogada. Em breve ela será a voz de sua geração. Ou uma voz, de uma geração. Mas não adianta. Agora é vida adulta, Hannah.



#chatiada

A forma como Hannah e suas amigas encaram o mundo é tão bem construída que às vezes dá vontade de abraçá-la e falar que vai passar. Em outras, de dar-lhe um tabefe e mandar ela acordar. Porque assim é a vida. E assim são as amigas da Hannah, as minhas e a suas também.

As crises pelas quais as quatro passam se encaixariam na rotina de qualquer menina de 20 e poucos anos. Como quando a Jessa fala que a coisa mais bizarra sobre ter um emprego é que você tem que estar lá todos os dias, mesmo quando não quer. Ou quando a Hannah diz que não quer um namorado, só um cara que queira estar com ela todo o tempo, pensa que ela é a melhor do mundo e quer fazer sexo só com ela.

O título deste post também é uma citação de Girls. Mas, como ser independente financeiramente em um país devastado pela crise? E ser dependente economicamente quer dizer que você é madura e, portanto, adulta? Eu não sei. A Hannah também não. Mas, se você quiser nos ajudar a descobrir, a segunda temporada de Girls começa domingo dia 13, nos EUA, e em breve dá as caras por terras brasileiras. 

(Ah, e se a Hannah é toda atrapalhada, sua criadora Lena Dunham já conquistou muita coisa. Ela interpreta a protagonista de Girls, assim como escreve e dirige a série. Tudo isso com apenas 26 anos. Então tá).


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