Quando você tem vinte e poucos anos, rola uma pressão da
sociedade. Já ter um bom diploma, um bom emprego, um bom apartamento, um bom
relacionamento, um bom carro. E continuar com o cabelo lindo e as unhas feitas.
Mas, convenhamos:
quem conquistou tudo isso com tão pouca idade? Eu, não. Muito menos a Hannah
Horvath, protagonista da excelente série Girls, da HBO. Quatro amigas, uma
delas escritora, uns caras, Nova York. Parece Sex and The City. Apesar das
frequentes citações à “mamãe” das séries de mulherzinha e da produtora em
comum, a afinidade para por aí. Isso porque Girls segue uma tendência muito interessante das
séries recentes dos EUA: ninguém é um completo vencedor. A crise está aí
para provar. E tudo bem, cara. Não rolou hoje, amanhã a gente vê.
No primeiro episódio, os pais da Hannah a comunicam que
pararão de sustentá-la. Afinal, ela terminou a faculdade (de Letras), tem um estágio
(não remunerado), um apartamento (pago com a grana dos pais), um livro em vias
de ser publicado (um caderno cheio de reflexões aleatórias) e um namorado (um peguete
que nunca sai de casa ou usa uma camisa ou fala coisa com coisa).
Se os pais apenas leem as frases principais, Hannah sabe que
a vida de verdade está no conteúdo entre parênteses. E se desespera. E apela.
Fala que eles têm sorte, ela poderia ser uma drogada. Em breve ela será a voz
de sua geração. Ou uma voz, de uma geração. Mas não adianta. Agora é vida
adulta, Hannah.
#chatiada
A forma como Hannah e suas amigas encaram o mundo é tão bem construída
que às vezes dá vontade de abraçá-la e falar que vai passar. Em outras, de
dar-lhe um tabefe e mandar ela acordar. Porque assim é a vida. E assim são as
amigas da Hannah, as minhas e a suas também.
As crises pelas quais as quatro passam se encaixariam na
rotina de qualquer menina de 20 e poucos anos. Como quando a Jessa fala que a
coisa mais bizarra sobre ter um emprego é que você tem que estar lá todos os
dias, mesmo quando não quer. Ou quando a Hannah diz que não quer um namorado,
só um cara que queira estar com ela todo o tempo, pensa que ela é a melhor do
mundo e quer fazer sexo só com ela.
O título deste post também é uma citação de Girls. Mas, como
ser independente financeiramente em um país devastado pela crise? E ser dependente
economicamente quer dizer que você é madura e, portanto, adulta? Eu não sei. A
Hannah também não. Mas, se você quiser nos ajudar a descobrir, a segunda
temporada de Girls começa domingo dia 13, nos EUA, e em breve dá as caras por
terras brasileiras.
(Ah, e se a Hannah é toda atrapalhada, sua
criadora Lena Dunham já conquistou muita coisa. Ela interpreta a protagonista
de
Girls, assim como escreve e dirige a série. Tudo isso com apenas 26 anos.
Então tá).